CEI - Espaço Infantil

13 respostas sobre o sono na gravidez




“Os enjoos e a azia incomodam muito, mesmo na hora de dormir. Há solução para isso?”
As alterações hormonais têm forte influência nesse quadro e, infelizmente, não há o que fazer contra elas. Mas isso não significa que melhorar alguns hábitos do dia a dia não possa trazer algum alívio. Ficar longos períodos sem comer piora a sensação de náusea, por exemplo. Isso explica a necessidade de se alimentar de três em três horas, em pouca quantidade. Da mesma maneira, fazer uma refeição pesada e muito farta não é o ideal. Experimente alimentos leves, como frutas e verduras, mesmo que não sejam seu prato predileto. Se o desconforto continuar insuportável depois dessas mudanças, seu médico pode avaliar o uso de medicamentos antieméticos para tentar apaziguar o enjoo.

“Tenho muito calor à noite. Por que isso acontece? Vai melhorar?”
Assim como a sonolência, o calor está ligado a mudanças na regulação hormonal. “A maior concentração de progesterona no organismo faz com que a temperatura corporal fique em torno de 37°C durante a gestação, ou seja, 0,5°C acima do normal. O aumento gera essa sensação, que poderá acompanhar a mulher por toda a gravidez”, esclarece a ginecologista Alice Melgaço Faria, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Nem todas sentem esse efeito, mas, se ele aparece, não há muito que fazer. Refresque-se com banhos, ventilador e ar-condicionado. Cuidado, porém, com cremes que apresentem cânfora, mentol ou eucaliptol em sua composição. A Anvisa, agência reguladora de vigilância sanitária, não recomenda seu uso durante a gestação, pois, em algumas concentrações, são capazes de atravessar a placenta e prejudicar a criança.

“Sinto cãibras e formigamento nas pernas que atrapalham meu sono. Isso é normal?”
Essas sensações são comuns e podem ser causadas tanto pelo ganho de peso quanto por alterações no fluxo sanguíneo. Durante a gestação, há um aumento e modificação na distribuição de líquidos do corpo. Isso pode levar à dificuldade de circulação e sensação de formigamento. Alongamentos e um bom banho antes de deitar podem ajudar a evitar esses incômodos. Para combater as cãibras, é preciso repor o potássio e o cálcio. Essas substâncias são encontradas, respectivamente, em frutas, como banana e melancia, e derivados de leite.

“Ando tendo muitos pesadelos, inclusive alguns em que meu bebê nasce com problemas. Como posso me livrar deles?”
A psicanalista Gina Levinzon, membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, explica que a gravidez por si só já traz muitos sentimentos à tona. Alguns são medos presentes ou passados, ou até situações mal resolvidas, que, agora, podem dar origem a sonhos desagradáveis, cheios de receio e insegurança. “O sonho é um dos mecanismos de elaboração psíquica daquilo que estamos vivendo. A gravidez é uma fase em que não apenas medos, como o de que o bebê nasça sem saúde, mas também fantasias surjam e povoem o psiquismo da mulher”, avalia. Outro aspecto diz respeito às expectativas em relação ao desafio de estar na função de mãe. Essa transformação também pode ser fonte de angústias que aparecem, de forma mais ou menos intensa, nos sonhos. Portanto, converse bastante com seu parceiro, leia livros sobre o assunto, troque experiência com outras mães. Tudo que faça você se sentir mais segura em relação ao novo papel pode ajudar.

“Meu bebê mexe muito quando me deito! Como posso acalmá-lo?”
Alguns bebês realmente se mexem mais que outros. Porém, é mais provável que você esteja com insônia e, por isso, perceba melhor essa movimentação. Se o problema é a falta de sono, procure uma posição confortável e tente relaxar. Escutar uma música tranquila pode ajudá-la nessa tarefa. Outra dica é beber um copo de leite antes de dormir. Isso porque ele é rico em triptofano, substância que naturalmente induz o sono, além de estimular a produção de serotonina, um neurotransmissor que, entre outros, funciona como sedativo e colabora para o descanso.

“Praticar atividade física pode espantar o sono?”
Segundo Leonice Doimo, professora do Departamento de Educação Física da Universidade Federal de Viçosa (MG), a princípio não, mas esse efeito pode variar. A sugestão é testar se exercitar em horários diferentes e ver qual vai trazer mais bem-estar. De toda maneira, Leonice lembra que é preciso manter um ritmo leve. O Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas recomenda que a intensidade da atividade física da grávida não ultrapasse a frequência cardíaca de 140 batimentos por minuto (bpm). A caminhada leve é uma ótima opção, e se você não tiver como medir o ritmo cardíaco, a dica é perceber se consegue conversar naturalmente enquanto caminha. Se sim, sua velocidade está adequada. A hidroginástica também é indicada por ter baixo impacto sobre as articulações e melhorar o inchaço. “É comprovado que as mulheres que fazem exercícios durante os nove meses se recuperam melhor e mais rápido do parto. Além disso, a sensação de estar fazendo algo por você e pela criança confere tranquilidade, influindo positivamente na qualidade do sono”, completa.

“Acordo pelo menos três vezes por noite para ir ao banheiro. O que posso fazer?”
Com o aumento de volume de sangue no corpo, seus rins precisam trabalhar mais para filtrá-lo e, consequentemente, produzem mais urina. Além disso, o crescimento do bebê ao longo dos meses aumenta o útero, que pressiona a bexiga e diminui mecanicamente sua capacidade de armazenamento. Nesse caso, o que pode ser feito é evitar a ingestão de líquidos perto da hora de ir para a cama.

“Meu marido disse que tenho roncado. Isso é normal?”
Em primeiro lugar, saiba que isso não afeta em nada seu bebê. A professora e pesquisadora do Instituto Médico do Sono da Universidade de Pittsburgh (EUA), Michele Okun, explica que uma das mudanças físicas mais profundas da gravidez diz respeito à respiração durante o sono. “O ronco e os distúrbios respiratórios do sono são de duas a três vezes mais comuns em grávidas. A evidência atual sugere que até 14% das não gestantes roncam, e esse número vai de 28% a 59% quando avaliamos mulheres no terceiro trimestre gestacional.” Essas taxas diminuem drasticamente no pós-parto – logo, fique tranquila, pois há grandes chances de você parar de roncar quando estiver com o bebê nos braços. Embora ninguém saiba exatamente o que leva às grávidas a roncarem, várias alterações fisiológicas podem predispor esses disturbios respiratórios do sono. O ganho de peso, a diminuição da capacidade respiratória, devido ao deslocamento do diafragma pelo crescimento da barriga, e edemas na faringe são alguns exemplos. Esses sintomas podem estar relacionados a problemas mais graves, por isso leve sua queixa ao obstetra para que ele avalie a necessidade de tratamento específico.

”Sinto dificuldade de respirar quando me deito. Pode ser sinal de algum problema?”
Geralmente, o esforço para respirar é comum no terceiro trimestre da gravidez e está relacionado ao tamanho do bebê no útero, que comprime outros órgãos. Deitar-se do lado esquerdo e usar alguns travesseiros para deixar as costas mais elevadas ajuda a diminuir esse peso. Se essas medidas não funcionarem, pode ser um sinal de dispneia noturna, uma falta de ar que costuma aparecer em gestantes hipertensas ou com pré-eclâmpsia.

“Conforme a barriga cresce, fica muito difícil achar uma posição confortável na cama. Nesse período, qual é a mais indicada?”
“Dormir de bruços, ou de barriga para cima, causa desconforto à gestante. O melhor é deitar-se sobre o lado esquerdo, com um travesseiro entre as pernas”, responde Helena Hachul, ginecologista e pesquisadora do Instituto do Sono, em São Paulo. Essa posição também ajuda a prevenir dores lombares e favorece a circulação sanguínea e a irrigação do cordão umbilical, enviando mais oxigênio e nutrientes para o bebê.

“Nunca tive problemas para dormir, mas estou tendo insônia. Isso é normal na gravidez?”
Segundo Fernanda Campos, obstetra e professora da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), pacientes com relatos de insônia são muito comuns. Geralmente as queixas estão associadas a expectativas da chegada da criança na família, preocupações com a hora do parto e até à sonolência durante o dia no primeiro trimestre, que faz inverter o relógio biológico. Para tentar melhorar esse problema, busque fazer atividades relaxantes e dividir suas angústias com seus familiares, especialmente aqueles que já passaram por essa fase.

“Posso tomar algum tipo de remédio para o sono?”
Fazer uso de qualquer medicamentos durante o período gestacional é sempre visto com ressalvas, sobretudo no primeiro trimestre. Suas substâncias podem interferir no desenvolvimento normal do feto, causando malformações. Tanto para insônia como em qualquer outra condição na gravidez (até como uma simples dor de cabeça), deve-se pesar o risco e o benefício. E nada de tomar aquele remédio que já está acostumada. Somente o seu obstetra pode dizer quais medicamentos estão liberados durante os nove meses. Lembre-se de que alguns chás, além do alto teor de cafeína, também são proibidos nessa época – é o caso do preto, do verde, do branco e do mate. Mas existem outros sabores que estão liberados e podem ser até benéficos para a gestante por ter efeito relaxante, como o chá de erva-cidreira, erva-doce e camomila.


Fonte: Revista Crescer

Dicas para um sono tranquilo das crianças



A pediatra Márcia Hallinan, do Laboratório do Sono da Universidade Federal de São Paulo, preparou um lista de situações que você, provavelmente, já enfrentou. Para que os pequenos aprendam a dormir, ela explica que é necessário rotina, ajuste de horários e paciência, muita paciência. Veja 14 dicas infalíveis.

1 - O ritual começa no fim da tarde, por volta das 18h: é hora de desacelerar

2 - Ofereça o jantar por volta desse horário ou três horas antes de a criança ir para a cama. Se os pais não estiverem em casa, outra pessoa pode tomar conta da tarefa. No caso dos bebês, a última mamada deve ser perto das 23h

3 - Evite deixar que as crianças assistam a desenhos de terror ou drama à noite ou joguem games com o mesmo tema. O ideal é que computador e TV não façam parte da mobília do quarto delas

4 - Duas horas antes da hora da criança dormir, desligue a televisão ou o computador. Em vez disso, que tal brincar com ela?

5 - Melodias tranqüilas preparam a criança para dormir. Na hora do sono, porém, desligue o aparelho. Ela precisa de um ambiente calmo, sem barulho

6 - Antes de ir para o quarto, um banho morno ajuda a relaxar

7 - Se eles tiverem fome antes de dormir,ofereça comidas leves, como um leite com biscoito ou barras de cereal

8 - A leitura é um bom hábito para toda a família, antes de dormir. Acalma os pequenos e ainda aproxima pais e filhos

9 - Depois, deixe as crianças no quarto, seja na cama ou no berço, sozinhas. Se reclamarem, os pais podem ficar por ali até que peguem no sono, mas nada de colo. A presença transmite segurança e, como tempo, elas vão aprender a adormecer sem vocês por perto

10 - O ambiente deve ser silencioso, escuro e fresco

11 - Além de dar segurança à criança que tem medo de escuro, a luz de cor azul tem efeito calmante. Mas para as que não se importam, o melhor é apagar todas as luzes

12 - Outra coisa que deixa os pequenos mais tranquilos é o chamado objeto de transição, que pode ser um boneco de pano, bicho de pelúcia ou uma fralda

13 - Um beijo de boa-noite simboliza que o dia acabou

14 - Essa rotina deve ser seguida diariamente. O ideal é que as crianças sejam colocadas para dormir e acordem sempre no mesmo horário

O sol nasce para todos- O verão e os portadores de necessidades especiais



Entre as crianças especiais, a que tem deficiência física é uma das que mais pode preocupar e exigir a atenção dos pais quando se trata de exposição solar. "Se o filho tem paralisia nas pernas, por exemplo, e for deixado muito tempo numa mesma posição sob o sol, pode sofrer queimaduras graves. Sem sensibilidade na pele, ele não sentirá o calor nas pernas", adverte o diretor clínico da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), o cirurgião ortopedista Antônio Carlos Fernandes. 
A pediatra Luci Pfeiffer Miranda, coordenadora do Grupo de Atendimento à Criança Especial da Sociedade Brasileira de Pediatria, conta que já viu bebês tetraplégicos com queimaduras de 1º- e 2º- graus num lado só do corpo. "O bebê foi passear com seu irmão, que esqueceu dele no sol quando estava brincando. Em condições normais, a criança teria se mexido e saído da posição em que estava." 

Mais higiene 
O excesso de suor e o aumento da umidade no verão favorecem o surgimento de fungos, que provocam micoses. "Se a criança usa algum tipo de prótese, esse aparelho precisa ser higienizado mais vezes", alerta o ortopedista Antonio Carlos Fernandes. O mesmo se aplica às crianças que usam fraldas, porque sua deficiência impede o controle da bexiga e dos intestinos. "Elas devem ser trocadas com mais freqüência para evitar assaduras e escaras. E em cada troca a criança precisa ser lavada, porque o suor associado à urina ajuda a formar assaduras com mais facilidade", diz a pediatra Luci. 
A mãe de Nicole, 8 anos, Elizabeth de Souza Lucatelli, conhece muito bem essa realidade. Sua filha tem um tipo de atrofia progressiva dos membros. "Ela usa um colete e, no calor, fica mais sujeita a coceiras e assaduras. Os cuidados redobram", diz. Nem por isso Nicole deixa de aproveitar a praia. "Adoro. Só me preocupo em não me queimar muito, porque senão fico ardendo e o aparelho machuca", reclama. Elizabeth alivia os desconfortos da filha, aumentando a quantidade de banhos e trocando mais vezes a camiseta, sempre de cor clara, que Nicole usa por baixo do colete. 

Hidratação Qualquer pessoa tem necessidade de ingerir mais líquidos no verão porque transpira mais. Com a criança especial não é diferente, mesmo que sua deficiência a impeça de fazer qualquer atividade, obrigando-a a ficar, por exemplo, muito tempo deitada. "Os pais não podem esquecer de manter esse filho muito bem hidratado. Ele pode até transpirar menos que a criança que se agita, corre ou joga bola, mas a água é importante para o seu organismo eliminar toxinas, diminui o risco de infecções urinárias e estimula a eliminação das fezes", explica o ortopedista Fernandes. Outro cuidado é não deixá-la deitada por muito tempo. "Nessa posição, a atividade pulmonar diminui e o pulmão pode reter mais líquidos, aumentando o risco de infecções. Se possível, essa criança deve ficar recostada, sentada ou até no chão de bruços, deitando-se só na hora de dormir", aconselha Luci. 
Fotofobia 
Ninguém suporta nem deve olhar diretamente para o sol. O risco é uma queimadura na região da retina responsável pela visão central. Mas para o deficiente visual, só a luminosidade do verão já pode ser um problema. "Em certos casos, a criança tem fotofobia (aversão à luz) e precisa usar lentes com filtros ultravioleta de cores diversas", afirma o oftalmologista Alexandre Costa Lima, que trabalha na Fundação Dorina Nowill Para Cegos, em São Paulo. A cor da lente varia de acordo com a doença. O deficiente com atrofia do globo ocular, por exemplo, embora não enxergue, tem sensibilidade no olho e se incomoda com a luz. Nesse caso, deve usar lentes escurecidas, de cor cinza, marrom ou verde. 

BOA CONVIVÊNCIA Alguns pais de crianças portadoras de deficiência mental enfrentam um grande problema: o medo de ser segregado ao expor o filho em ambientes públicos, como a praia. "Essa dificuldade faz com que não aproveitem todas as formas possíveis de diversão com a criança, o que limita seu desenvolvimento", analisa a psicóloga Clélia Ferraz Ribeiro, coordenadora clínica da Sociedade Pestalozzi de São Paulo. 
O convívio social é importantíssimo para a criança especial, segundo a psicóloga. "Quanto menos experiência essa criança tiver, mais restritos serão seus conhecimentos e vivência. Assim, o potencial que poderia desenvolver é anulado", afirma Clélia. 
 Fonte Revista Crescer